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20 DE NOVEMBRO

O Dia da Consciência Negra e a reconstrução do Brasil

Data de Publicação: 20/11/2022

Em mais um ano de rememorar o dia da consciência negra, vale frisar que 2022 não é um ano qualquer: trata-se daquele em que uma das maiores políticas públicas reparatórias, as cotas étnico-raciais na educação, completa uma década de regulamentação em Lei federal. Além disso, 2022 entrará para a história marcado como aquele que carregou as eleições mais importantes e decisivas da nossa democracia: um pleito em que derrotamos, nas urnas, o facismo, golpismo, autoritarismo, racismo e a representação de todo atraso e retrocesso do nosso país. Neste, voltamos a ter esperança e sonhar com a reconstrução de toda destruição de direitos que representou o governo Bolsonaro.

Foi uma eleição histórica que emblema um enfrentamento difícil, mas vitorioso, contra todo aparato corrupto e vergonhoso do orçamento público e da máquina estatal por parte do atual governo. No entanto, isso já faz parte de um passado sombrio que esperamos nunca mais vivenciar!!

Ainda temos muitos desafios pela frente. Não será uma reconstrução fácil. Os dados do IBGE e do IPEA, por exemplo, persistem em números desfavoráveis para os/as negros/as no nosso país, sobretudo após a pandemia da Covid - 19, que no caso do Brasil, foi agravada pelo negacionismo, omissão, má gestão de um governo genocida e resultou no triste saldo de quase 700.000 vidas ceifadas, das quais, a maioria foram mulheres negras e pobres (fonte: https://jornal.usp.br/ciencias/mulheres-negras-tem-maior-mortalidade-por-covid-19-do-que-restante-da-populacao/). Nunca esqueceremos deste episódio terrível de nossa história. 

Contudo, elegemos um governo que demonstra uma trajetória de compromisso com as “minorias” sociais, como os povos originários e a população negra brasileira. Uma gestão que tem colocado em sua agenda que os brasileiros/as historicamente oprimidos/as, como os pretos, pobres, mulheres, indígenas, LGBTQIAPN+ terão um olhar cuidadoso e um espaço amplo de diálogo na (re) construção das políticas públicas.

Nós do SINTUFS, enquanto uma entidade classista, cuja atuação se dá na área dos trabalhadores da educação, não nos furtaremos em continuar endossando a consciência negra como uma luta cotidiana, pois, não adianta “ter consciência humana enquanto pessoas negras não tiverem direitos iguais e sequer forem tratadas como humanas” (Djamila Ribeiro).

Assim, estamos atentos/as e fortes na caminhada voltada para uma educação antirracista na UFS e na sociedade, na defesa da ampliação de políticas reparatórias para a população negra, na luta contra o feminicídio, que atinge principalmente, as mulheres negras e que, lamentavelmente, a UFS foi cena do crime contra uma delas, a Daniele Bispo. Ainda no rol dos cenários trágicos contra os corpos negros, Sergipe foi solo do homicídio qualificado contra Genivaldo, e isso faz com os movimentos sociais sergipanos assumam, mais ainda a luta contra as mais diversas opressões, dentre as quais o racismo é a principal delas. Endossamos assim, enquanto entidade, o combate ao racismo estrutural, institucional e religioso, como único caminho de mudança da realidade demonstrada pelos dados e situações acima, que são apenas duas entre milhares que acontecem todos os dias contra o povo negro.

Que em 2023 possamos continuar nas fileiras da resistência, retomar os avanços destruídos e reescrever novas páginas da história do Brasil através da construção de um lugar decolonial, antirracista e libertário! (Wallace de Moraes, 2020) (https://otal.ifcs.ufrj.br/um-lugar-de-fala-decolonial-antirracista-e-libertario/)

São Cristóvão, 20 de novembro de 2022

Coordenação executiva do SINTUFS

Gestão “Resistir e avançar: É na luta que a gente se encontra! ( 2021-2023)