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Situação de penúria e perseguições é exposta por terceirizados da UFS
Data de Publicação: 09/09/2015
"Alguém aqui faz exames médicos periódicos"? Uma pergunta aparentemente simples feita pelo presidente do SINTUFS, Lucas Gama, arrancou uma risada geral de trabalhadores e trabalhadoras terceirizadas presentes na reunião realizada no fim da tarde de quarta, dia 9, na sede do Sindicato. Um sorriso sarcástico, quase que mimetizando um provável sorriso cínico emanado pelos patrões caso ouvissem tal cobrança trabalhista daqueles a quem trata como subordinados. "Não pagam nem nosso salário, quanto mais conceder exame médico", bradou um dos presentes, indignado.
Esse clima denota bem a trágica situação relatada pelos trabalhadores de diversas empresas prestadoras de serviços à Universidade Federal de Sergipe que compareceram em peso à convocação feita pelo Comando Local de Greve (CLG)/SINTUFS. O objetivo era formar um panorama do quadro de calamidades cometidas contra esse segmento tão importante para o funcionamento da universidade, mas relegado a um papel degradante graças à precarização das relações de trabalho.
"Os salários atrasam quase todos os meses e nós somos muito prejudicados por outras coisas erradas. As empresas colocam faltas em dias que trabalhamos certinho! Mês passado me descontaram R$ 300 e meu salário pago foi de R$ 500 – como viver com isso? E ainda descontaram imposto e benefícios sobre o valor bruto", revela um servidor que, assim como todos os outros, preferiu não se identificar por conta da certeza de uma perseguição por parte da empresa.
As denúncias de irregularidades e desrespeito com os trabalhadores não pararam e incluíam o recebimento de metade do salário, suspensão do mês de março descontada em agosto, falta de fornecimento de Equipamento de Proteção Individual (EPI) e demais ferramentas básicas para atividade laboral, recusa de prestar atendimento a um profissional que teve um mal súbito. uma longa lista de insatisfações e ataques a direitos básicos assegurados através da história de luta da classe trabalhadora.
Para completar, os trabalhadores reclamam do ataque a um direito fundamental que é o da liberdade à organização autônoma da categoria. "Fomos ameaçados de demissão caso viéssemos a essa reunião. Disseram que quem viesse receberia o salário atrasado e o aviso prévio, tudo junto", expôs um trabalhador. Foi enviado inclusive um email, reproduzido na imagem ao lado, com orientação clara dirigida aos trabalhadores terceirizados para não comparecerem à convocação do SINTUFS, acusando-nos injustamente de sermos contra os terceirizados.Sempre frisamos que somos sim contra o processo de terceirização por entender que essa é mais uma ferramenta de enfraquecimento da luta da classe trabalhadora ao deixar os profissionais em situação de vulnerabilidade para a auto-organização. Porém, enquanto membros da classe trabalhadora, assumimos o papel de sair em defesa dos trabalhadores e trabalhadoras sempre que algum direito é ameaçado e o SINTUFS é mobilizado para intermediar uma solução. Prova disso é a intermediação e defesa em diversos conflitos entre terceirizados e as empresas que os empregam, como os vigilantes em 2014 e os profissionais de serviços gerais em 2012.
Ainda durante a reunião, representantes do Sindelimp, sindicato que agrega os terceirizados da UFS, chegaram à reunião para tentar discutir com sua base, juridicamente falando, sobre as tentativas de solucionar os problemas relatados pelos terceirizados. Apesar de terem sua legitimidade bastante questionada pela base, que apontou falta de empenho e presença na defesa dos trabalhadores, o Sindelimp ouviu do SINTUFS o compromisso de ter um aliado ao reforçar as denúncias já feitas no Ministério Público do Trabalho (MPT).
Após ouvir as inúmeras queixas, o SINTUFS assumiu o compromisso de agregar essas denúncias em um documento a ser apresentado à Reitoria da UFS numa reunião em que será exigida a presença de representantes das empresas empregadoras dos trabalhadores terceirizados. Essa reunião serve para compensar uma lacuna deixada da administração da universidade no acompanhamento dessas irregularidades, uma vez que, de acordo com a Lei de Licitações, a fiscalização das relações de trabalho das empresas terceirizadas com seu quadro de funcionários atuando nos campi é de responsabilidade da UFS.
"Vamos fazer essa interlocução com o sindicato de vocês, mas podem contar com o SINTUFS para fazer mais uma frente de intermediação. Não queremos monopolizar. mas queremos levar as demandas de vocês para que a gestão da UFS saiba. Apesar de termos vínculos diferenciados, somos todos trabalhadores e trabalhadoras da educação essenciais para o funcionamento da universidade. Vamos mostrar que os terceirizados tem autonomia e força pra se organizar porque a UFS não funciona sem vocês, nunca se esqueçam disso", encerrou Lucas Gama.


