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VII CONSINTUFS

Mudanças no Estatuto do Sindicato são aprovadas pelos delegados

Data de Publicação: 01/02/2016

A história do movimento sindical na UFS teve mais um importante capítulo escrito no último fim de semana, quando aconteceu o VII Congresso dos Trabalhadores Técnico Administrativos em Educação da Universidade Federal de Sergipe (CONSINTUFS), realizado entre os dias 28 e 30 de janeiro na sede do SINTUFS. Entre as atividades, debate e plenárias temáticas, uma importante tarefa estava na pauta do Congresso: reformular o Estatuto do Sindicato a fim de dotá-lo de mecanismos mais democráticos e reforçar o caráter classista no documento que norteia a entidade.

Foi o que aconteceu durante todo o sábado, dia 30. Nesse aspecto, destacam-se três deliberações: a inclusão de trabalhadores terceirizados e de empresas conveniadas como a Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (EBSERH) na base do SINTUFS, a desfiliação do Sindicato junto à Central Única dos Trabalhadores (CUT) e a mudança da composição de funções da diretoria, que perderá essa designação de 'diretoria' e passará a ser regida por uma estrutura de coordenações.

"O SINTUFS, na gestão Renovar para Avançar na Luta, sempre se portou contra o processo de privatização por dentro da universidade pública através da terceirização e de empresas como a EBSERH, mas também sempre se colocou na defesa dos trabalhadores nessas condições, atuando extraoficialmente em várias ocasiões ao longo desses dois últimos anos. Por isso entendemos que é importante incluir oficialmente e estatutariamente esses trabalhadores que compõem a força de trabalho da UFS", destaca Elayne Menezes, vice-presidente do SINTUFS.

A mudança acontece num momento de ataques à classe trabalhadora no qual o SINTUFS entende que tem condições de prestar suporte a essas categorias, uma vez que o acúmulo de forças dos últimos dois anos com intensas greves e manifestações dos TAEs, pressionaram Reitoria e Governo Federal e dão legitimidade ao Sindicato de representar todo o conjunto de trabalhadores não-docentes da universidade.

DESFILIAÇÃO DA CUT

Outro ponto importante deliberado, a desfiliação do SINTUFS da CUT, se ateve na alteração do Estatuto sobre a filiação à Central Única dos Trabalhadores (CUT). "Reconhecemos o papel importante exercido pela CUT para a classe trabalhadora e para a democracia brasileira, agregando as pautas dos trabalhadores desde o momento da redemocratização do Brasil. Entretanto, com a acensão do PT através de coalizões partidárias com setores afeitos ao capitalismo, percebemos que a CUT fazia mais a defesa do Governo Dilma do que dessas pautas relevantes à classe trabalhadora e que esses interesses eram na maioria das vezes conflitantes", destacou Atamário Cordeiro, diretor de Formação Política do SINTUFS, em sua fala defendendo a desfiliação.

As demais falas dos delegados seguiram essa tônica de apontar que era nítida a defesa do Governo Federal por parte de alguns setores cutistas, mesmo em tempos de ajuste fiscal que penaliza a classe trabalhadora. Isso denota que, entre a base, foi notada a ausência de apoio da CUT nas greves e manifestações de 2014 e 2015 encampadas pela categoria.

Por outro lado, Joseílton Nery, TAE da UFS, ex-presidente do SINTUFS e militante da CUT, ressaltou as lutas passadas da central. "A CUT sempre esteve e estará sempre presente na história de lutas da categoria, em todo o país. Reconhecemos que há erros, mas mesmo com os equívocos em determinados momentos cruciais, foi com a CUT que conquistamos um de nossas maiores vitórias: o Plano de Carreira e Cargos dos TAE (PCCTAE)", enalteceu, enquanto erguia o caderno do PCCTAE que, verdade seja dita, é sim um dos mais importantes avanços alcançados pelos Trabalhadores Técnico-administrativos.

Apesar do reconhecimento desse papel exercido pela CUT no passado, por ampla maioria dos votos dos delegados, o VII CONSINTUFS marcou a desfiliação do SINTUFS junto à CUT e agora o Estatuto, em seu Artigo 49, apresenta texto em que que permanece filiado apenas à FASUBRA SINDICAL.

MUDANÇA ESTRUTURAL

Outro ponto importante modificado no estatuto diz respeito à sua estrutura organizacional. Ficou para trás o perfil presidencialista da estrutura de direção e o SINTUFS passa, já a partir da próxima eleição, a apresentar um corpo de Coordenação para conduzir suas atividades administrativas e organizacionais.

"Essa é uma mudança importante porque despersonaliza o Sindicato. Com o aumento do atual número de nove integrantes da direção para 20 no modelo de Coordenação, as atividades serão realizadas de forma mais ampla e teremos condições de contemplar, além dos TAEs, as categorias que foram agregadas à base do SINTUFS. Abandonamos o caráter semelhante ao presidencialista na gestão e apresentamos um caminho para deliberações e diálogos mais amplos na composição da Coordenação", afirma Lucas Gama, presidente do SINTUFS.

Uma importante característica dessa mudança estatutária é a exigência de que as chapas sejam formadas de forma paritária quanto à questão de gênero - para poder concorrer às eleições, as chapas devem conter homens e mulheres em igual número distribuídos entre as funções das coordenações. A mudança também aumenta o número de integrantes representando a categoria no Sindicato, propiciando que se mantenha uma série de políticas consideradas essenciais pela atual gestão, como a descentralização das atividades do SINTUFS e sua presença nos campi no interior.

"É importante frisar que a UFS está se expandindo intensamente. Desde que assumimos, já houve a instituição do Campus de Glória e já se fala no campus na região Centro-Sul do estado. Com o atual número de nove membros na direção, as dificuldades em estar sempre presente vai emergindo e com mais membros falando em nome do Sindicato será possível fazer visitas com frequência semanal ou quinzenal aos campi da UFS no interior do estado", completa Elayne.

A votação também deliberou pela redução na duração de cada gestão, que deixa de ter três anos para passar a ser um biênio, com eleições a cada dois anos. Uma vez aprovado pelos delegados no VII CONSINTUFS, o novo Estatuto será agora apreciado pela categoria dos TAEs em Assembleia a ser marcada e divulgada nos meios de comunicação do SINTUFS.