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PARALISAÇÃO NACIONAL

TAEs se somam a estudantes e professores em defesa da universidade pública

Data de Publicação: 02/08/2017

Ainda no embalo da grande repercussão proporcionada pelas inserções na mídia sergipana, os Trabalhadores Técnico-administrativos da UFS realizaram uma importante atividade da Paralisação Nacional da categoria na quarta, dia 2, e somaram forças a estudantes e professores em uma manhã de intensa mobilização no campus São Cristóvão. Desde as primeiras horas do dia, após panfletagem nas entradas de pedestres e veículos, o intuito era de agregar ao máximo possível a comunidade acadêmica em torno de uma urgente pauta: salvar a UFS e o modelo de universidade pública no país.

Em marcha pelos corredores, setores e salas de aula, a convocação foi feita através do recado de que o contingenciamento de recursos para educação do governo ilegítimo de Michel Temer atingia de forma nevrálgica o funcionamento das instituições em todo o Brasil. Na UFS, ainda que sem dados precisos, o reitor Ângelo Antoniolli admitiu em reunião informal com representantes das três categorias e, antes disso, em nota publicada no portal UFS, que havia possibilidade de dificuldades em honrar pagamentos a partir de outubro, mas descartou a possibilidade de fechamento da UFS, embora não tenha informado de onde sairiam os recursos para garantir isso.

"Não estamos distantes de uma realidade de total desmonte do modelo da universidade pública brasileira. Os ataques são constantes e está muito clara qual é a proposta: a privatização das instituições de ensino superior e isso já fica evidente com a intenção do governo em cobrar mensalidade da pós-graduação e até mesmo da graduação", destaca Fábio dos Santos, coordenador geral do Sintufs.

Culminando com um grande ato e contando com a adesão de mais e mais pessoas das três instâncias da comunidade acadêmica - técnicos, professores e estudantes -, o movimento unificado em caminhada culminou com um grande ato no Hall da Reitoria, onde foram recebidos pelo Pró-reitor de Planejamento da UFS, Rosalvo Ferreira, que entregou um demonstrativo da execução orçamentária da UFS até o momento. Reforçando o que foi dito pelo reitor no dia anterior, Rosalvo mais uma vez descartou a possibilidade de fechamento da universidade, mas também não explicou a origem dos recursos caso a fonte seque após setembro.

"Recebemos respostas ontem e hoje, mas ainda não completamente. Chegou até nós a informação da administração da UFS de que foi repassado 70% da verba de custeio referentes ao orçamento de 2017, sendo que o governo federal informou que haverá corte de 15% do que ainda falta ser repassado. Admitiram que alguns contratos e serviços não poderão ser mantidos, mas o que ainda precisamos saber é como a universidade teria condições de se manter sem esses recursos", destaca Fábio.

A verba de custeio é destinada a pagamentos de diversos serviços essenciais às atividades acadêmicas, como as contas de água, energia e telefone, materiais didáticos e laborais, além do salário dos terceirizados. "Todos nós da comunidade acadêmica estamos numa situação de insegurança extrema, principalmente os terceirizados. Já se sabe que diversas instituições têm optado pela demissão dos terceirizados, além de outras que estão atrasando os salários. Como impedir que isso aconteça na UFS?" questionou Bryanne Araújo, coordenadora geral do Sintufs, que ouviu, com os presentes ao ato, que a administração da UFS fará um grande esforço para que isso não aconteça.

Assim, com respostas ainda vagas e apostando que o governo federal faça o repasse dos recursos inicialmente orçado a tempo de impedir que a universidade caia numa situação completamente caótica, a administração da UFS ainda precisa atender a uma solicitação primordial da mobilização unificada dessa quarta: agora com os números das contas pagas até julho em mãos, fica a dúvida do que irá acontecer quando o dinheiro em caixa da UFS acabar.

DEMOCRACIA
Em tempo, um adendo: durante a marcha pelo campus, um dos pontos de parada foi a nova e polêmica praça reformada entre as Didáticas e o prédio da Reitoria. Lá, está instalado um "Memorial à Democracia", monumento em que fica difícil entender o real sentido a não ser pela ironia provocada pelos tempos sombrios que a política partidária nos remete em era pós-golpe. A praça ainda não havia sido inaugurada de forma adequada, até hoje. Diante de uma importante manifestação da comunidade acadêmica, a mobilização unificada ouviu de Fábio dos Santos a convocação à luta constante e progressiva em defesa da UFS na forma de uma declaração eminentemente democrática, de baixo pra cima. "Nessa manifestação, está inaugurado o Memorial da Democracia". Que essa palavra ou a ideia que dela emana não se percam e possam ser resgatadas pela mobilização popular.