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FORMAÇÃO POLITICA

Seminário é encerrado com debate contra opressões e sobre efeitos da Ebserh

Data de Publicação: 20/04/2018

Partindo da premissa de que as opressões de gênero, etnia, orientação sexual e outras são instrumentos usados pelo capital para reforçar sua lógica de exploração dos trabalhadores, o Sintufs incluiu o tema no Seminário de Formação Política realizado entre os dias 19 e 20 no auditório da Adufs. A mesa, intitulada "O papel dos trabalhadores da educação na luta contra o machismo, o racismo e a homofobia", foi realizada na manhã de sexta e abriu a possibilidade de discussão sobre como a conjuntura atual criou um cenário em que as conquistas históricas implementadas pelos grupos que resistem às opressões são postas em cheque com o avanço do neoconservadorismo.

"O povo está na universidade, mas a universidade têm condições de dar suporte ao povo? E aí aparece a lógica do capital: quando o povo, especialmente o povo negro, ocupa a universidade, ela é precarizada pela elite", apontou Pedro Alexandre, jornalista e militante do movimento negro, que defende que o Estado policialesco imposto à sociedade com a intervenção militar sempre foi posto aos negros, especialmente nas periferias, em uma situação que tende a ser acirrada 

Somando ao debate de Pedro Alexandre, o vereador e professor Iran Barbosa fez um paralelo de como esse processo ja foi aplicado na educação básica, do qual o ensino público de qualidade, que era reduto da elite, passou a ser precarizado a partir de sua universalização. Ele destacou também como essa nova onda conservadora se organizou, aproveitando-se da ignorância e do desconhecimento, para disseminar falácias e acumular forças através das redes sociais para depois ocupar espaços deliberativos e barrar avanços nas pautas defendidas pelos grupos oprimidos.

Como exemplo, Iran citou destacadamente o projeto de cartilha direcionada aos professores para melhor lidar com a questão da diversidade sexual em sala de aula que foi tratado erroneamente e de forma cínica como "kit gay", criando um falsa noção de que seria direcionado às crianças.

As falácias e discurso de ódio usado pelo conservadorismo contra as minorias também pautou a apresentação de Verônica Barros, servidora da UFS e militante feminista. Amparando seu debate com um empoderador e didático vídeo, Verônica destacou que 2017 foi um ano decisivo para a resistência das mulheres no Brasil e no mundo, tendência que deve ser intensificada agora em 2018 na resistência contra o machismo e outras violências fruto da sociedade patriarcal (clique aqui para assistir ao vídeo exibido no evento).

POLÍTICA SOCIAL DE SAÚDE
Logo em seguida, na segunda atividade da manhã, a professora do departamento de Serviço Social Magaly Nunes e a assistente social Dislaine de Sá abordaram "Os impactos do modelo de gestão da EBSERH nos hospitais universitários". Abrindo um valioso debate acerca de um dos assuntos mais nevrálgicos na atual conjuntura da UFS, o tema reforçou a tônica com a qual o Sintufs vêm buscando empreender 

"A crianção da Ebserh vem num contexto em que o Estado tem que ser enxuto para o trabalhador para ter recursos para o capital. Dessa forma, acaba-se reforçando uma ênfase da prática médica individual assistencialista, curativa e especializada, diferentemente da saúde preventiva, para dar a ela cada vez mais um viés mercadológico", explica a professora Magaly.

Já Dislaine, que realizou seu estágio obrigatório durante a graduação no HU e agora é residente no hospital-escola, destacou em sua pesquisa que o modelo de gestão implantado pela empresa é antidemocrático, não abre para o diálogo, infringindo princípios constitucionais, restringindo o controle social e ferindo a autonomia universitária. "O ensino é posto num plano secundário e a pesquisa é voltada para atender ao mercado, não o interesse social", revela.

A assistente social prossegue discorrendo sobre como o acesso ao atendimento de saúde passou a ser ainda mais burocratizado e há atualmente uma grande discrepância entre estrutura física e quantidade de profissionais. "Isso causa uma ausência de condições mínimas de trabalho, gerando conflitos entre trabalhadores que acabam disputando salas de atendimento. É um absurdo em se tratando de hospital-escola", indigna-se.

Diante da lenta privatização através da terceirização e da precarização, Dislaine defende que, entre os desafios postos aos trabalhadores no HU, é preciso unificar a luta e encontrar um caminho de viabilizar isso com três vínculos diferente - RJU (os estatutários), celetistas via Ebserh e celetistas de empresas terceirizadas. "É preciso fortalecer o diálogo entre os trabalhadores para enfrentar os muitos casos de assédio moral e para que haja a compreensão de que o modelo de gestão pautado na produtividade cima da qualidade irá penalizar os próprios trabalhadores e os usuários.

Posto tudo isso, Magaly encerra de forma enfática qual deve ser o foco do enfrentamento. "A luta é contra as características do trabalho que vai ser imposto e contra as consequências disso", avalia. Desse modo, o Sintufs é claramente contra essa perspectiva de piora gradativa do serviço e das condições de trabalho não por culpa dos trabalhadores da Ebserh, que também serão vítimas desse modelo, mas por consequência do avanço dessa perspectiva mercadológica que lhes é imposta.