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NOTA

Assédio moral: é importante denunciar!

Data de Publicação: 08/05/2019

A Coordenação Executiva do SINTUFS vem, através desta nota, manifestar todo apoio à servidora (jornalista) da UFS, Jéssica Vieira, pela coragem em denunciar publicamente as reiteradas situações de assédio moral de que tem sido vítima desde 2008, ano em que ingressou na instituição. Jéssica possui deficiência visual (baixa visão) e, a despeito das dificuldades inerentes a sua deficiência, além do preconceito, não se deixou abalar reafirmando-se como uma profissional competente e qualificada, quebrando os estereótipos da deficiência como “dependência” ou “incapacidade”.

                Ao longo de dez anos trabalhando na assessoria de comunicação da Universidade, a Jornalista vivenciou diversos episódios de assédio moral, a maioria deles velados, mas que ocasionaram a exclusão e isolamento da servidora quase sempre através de sua revitimização (a culpabilização da assediada pela situação de assédio). Os principais resultados deste processo vexatório foram o adoecimento e diminuição da qualidade de vida da jornalista, que precisou de tratamento e, principalmente, de muita garra para prosseguir.

                O assédio moral em diversas repartições é comumente remediado através da remoção do trabalhador de seu setor, sem a devida resposta institucional. O caso de Jéssica foi processado de forma semelhante, culminando na remoção da servidora, após denúncia junto ao SINTUFS em 2018. Apesar da intervenção do sindicato, neste, como em outros casos, não ocorreu o reconhecimento da situação-problema nem o enfrentamento das práticas dos assediadores, por conta da sua difícil configuração probatória. Vale ressaltar que a própria Ouvidoria da UFS, em seu relatório de atividades de 2017, apontou diversas denúncias de assédio moral, mas sem apresentação de soluções efetivas por parte da Instituição.

                Nesse sentido, o SINTUFS vem há muito promovendo um enfrentamento diário contra o assédio na Universidade Federal de Sergipe, sendo este tratado como invisível, velado e naturalizado nas relações de trabalho cotidianas.  Em 2017, o SINTUFS lançou a campanha “Rompendo o silêncio”, contra o assédio moral[1], indicando aos servidores e a gestão da UFS a necessidade de falar sobre o tema e de conscientizar tanto os assediadores quanto os assediados das diversas atitudes que passam despercebidas e que configuram assédio.  

                O assédio moral é entendido como “a exposição de trabalhadores a situações humilhantes e constrangedoras, de forma repetitiva ou sistematizada. A ação objetiva afetar a dignidade da pessoa. O assédio moral pode ser conceituado ainda como toda e qualquer conduta feita por gestos, palavras, atitudes etc. que tenha como característica um comportamento abusivo e intencional. Visa prejudicar e ferir a integridade física ou psicológica de uma pessoa e colocar em risco seu emprego, além de degradar o ambiente de trabalho”[2].

                Ocorre que estas formas de humilhação podem ser praticadas por superiores hierárquicos (chefias), em sua modalidade dita “vertical”, mas também por colegas de mesma hierarquia, em sua modalidade “horizontal”. Em quaisquer destas, o assédio deve ser combatido, denunciado e punido, mas principalmente prevenido. A Coordenação Executiva do SINTUFS vem enaltecer Jéssica pela coragem de não aceitar calada, denunciando os assédios por ela sofridos e reafirmar que não deixaremos que sua voz seja silenciada.

NÃO SILENCIE DIANTE DESSA PRÁTICA. DENUNCIE!

Faça sua denúncia através da Ouvidoria Sintufs (ouvidoriasintufs@gmail.com) ou pelo whatsapp 99153-0089.

 

[1]Disponível em: <http://sintufs.org.br/conteudo/614/enfrentamento>. Acesso em 08/04/2019.

[2] Disponível em: <www.ouvidoria.ba.gov.br/arquivos/File/assediomoralmpt.pdf>. Acesso em 08/04/2019.