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EDITORIAL

ABOLIÇÃO? 13 DE MAIO?

Data de Publicação: 13/05/2019

O dia 13 de maio é visto – e até comemorado – como uma data de libertação da escravatura da população negra brasileira. Setores importantes do movimento negro organizado fazem, desde os anos 80, um esforço de revisão histórica para ressignificar e problematizar a data. A assinatura do encerramento oficial da escravatura – contraditoriamente – atendeu a outros interesses que não ao do povo negro. Não à toa, o Brasil foi um dos últimos países a abolir formalmente a escravatura no continente. 


Não houve qualquer política de reparação, formação e inserção no mercado de trabalho brasileiro, a “abolição” veio em conjunto de uma série de leis que criminalizavam e marginalizavam o povo preto, como a proibição do samba, da capoeira, a perseguição brutal às religiões de matrizes africanas que perdura até os dias de hoje, a instituição do crime de “vadiagem”, ausência de reforma agrária, direito ao voto e educação formal. Portanto, o 13 de maio não representa uma data de abolição, apenas uma formalização de um processo de mudança que já estava em curso há décadas e que não acompanhou qualquer reparação aos negros e negras brasileiras. 


O extermínio da população negra nas periferias é uma realidade, como acompanhamos o assassinato do jovem Clautênis Santos. A população carcerária brasileira é majoritariamente negra, vítima da política de “guerra às drogas”, as políticas de cotas raciais – um avanço na reparação histórica no acesso à educação superior – estão abertamente ameaçadas. Como representantes de uma categoria formada inicialmente por trabalhadores e trabalhadoras negras, o Sintufs tem o compromisso de africanizar a Universidade Pública, de afirmar que vidas negras importam, e se coloca como um aliado na luta do povo preto de Sergipe e do Brasil. 


A libertação do povo negro não se deu pela assinatura da Princesa Isabel. A libertação se dá nas ruas, lutando e conquistando direitos.