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Libório, o homem entre o sonho e o som

Data de Publicação: 08/08/2019

“Nosso abraço carinhoso para o grande Libório”, arremessou o cantor Chiko Queiroga após a apresentação de abertura do V Encontro Nacional e XI Fórum Estado, Capital e Trabalho (Engpect), que vai de 7 a 9 de agosto na UFS. Os clássicos da dupla violada com Antônio Rogério, entre “A Cigana”, “Serpente”, “Flora” e “Guatemala”, tiveram desfecho com a lembrança daquele que habita a parte superior do Auditório da Reitoria, por entre as escadas circulares e bambas do prédio.

“Eita, não gosto de foto não bicho, faça isso comigo não”, seguido de um riso nervoso sobre a galeguice rala do cocuruto. Libório Firmo de Castro Silva tem 65 anos, 40 deles pelos cantos da Universidade Federal de Sergipe. Após seis anos na Marinha de Guerra, Libório serviu como técnico de audiovisual nas atividades do Cultart entre os anos de 1978 e 1979, quando o Campus Aloisio Campos não passava de meia dúzia de cimento, toneladas de mato e uma aposta muito da cara.

A fala mansa de tom baixo discorre a própria trajetória com alguma empolgação. No decorrer das décadas ele gravou, sonorizou e transcreveu centenas – quem sabe milhares – de debates públicos, encontros, atividades culturais, audiências, assembleias, colóquios e o escambau da vida acadêmica, na coxia da produção científica e dos grandes espetáculos da luta de classes. Faça chuva, sol ou balbúrdia, lá estava Libório para ver e gravar o que o diabo duvida – quem sabe não tenha sonorizado a banca de monografia do Capiroto no desencanto das décadas - e ainda assim, pasmem, sem sofrer qualquer pressão ou perseguição no cumprimento do ofício. Em tempos de regressão autoritária nas Universidades e Institutos Federais, seu relato é um achado e tanto.

“Devemos todos cultivar nossos sonhos, cada vez mais”, afirmava a professora Alexandrina Luz do alto da solenidade de abertura do Engpect, entre a divulgação dos 180 trabalhos em todas as edições do Encontro/Fórum. Entre as formulações, teses e artigos da produção formal da ciência da vida, a Universidade Pública será reduzida a pó- tal como pretende os “Future-se” da vida - sem os trabalhadores e trabalhadoras que arregaçam as mangas para as pontes necessárias entre o sonho e o som, educadores da labuta de todos os turnos e todas as horas. Libório sempre foi um deles. Ainda bem.