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ARTIGO
O ex-presidente Lula e a UFS: por que o título de doutor honoris causa?
Data de Publicação: 21/08/2017
Durante a semana que antecedeu a vinda do ex-presidente Lula a Sergipe, o SINTUFS refletiu bastante sobre a posição que deveria tomar diante da expectativa criada por vários setores da universidade e pela base. Nós, trabalhadoras e trabalhadores da UFS, antes de qualquer atribuição, temos a função de educar. Fazer uma análise do presente sem considerar o que vivemos no passado, ou como nossas atitudes hoje poderão repercutir no futuro, seria no mínimo irresponsável.
O título de Doutor Honoris Causa é concedido como mérito e reconhecimento a quem tenha feito grandes honras. Ou, mais especificamente, a quem mereça destaque – segundo aqueles que compõem o Conselho Superior de uma Universidade – como ocorreu em 2013, na UFS, através do Consu, cuja entrega da comenda acontece na passagem do ex-presidete por terras sergipanas. No entanto, a questão não é de ordem acadêmica, mas sim política.
Reconhecemos que a democracia no país está cada vez mais ameaçada e que sofremos um duro golpe. Não concordamos com a perseguição política da direita tradicional (rede Globo, Poder Judiciário e maioria no Congresso) sobre Lula, mas também não o consideramos uma vítima sem responsabilidades na gravidade do quadro atual de nossa conjuntura.
Se a questão é política, vamos aos fatos: Lula não representa a si próprio, mas um projeto. Um projeto de conciliação de classes que não permitiu inverter a relação de opressão do Estado e dos empresários sobre o conjunto da classe trabalhadora. O projeto de Lula não foi capaz de reverter as privatizações dos governos que o antecedeu. Pelo contrário: nos governos do PT, o processo de privatização avançou sobre a exploração do petróleo, minas e energias, estradas e aeroportos, bancos públicos e na saúde.
Entretanto, vamos nos ater à nossa área de atuação. Houve expansão do ensino superior, mas num investimento muito menor do que o permitido à iniciativa privada. A pauta histórica dos 10% do PIB para Educação, nunca foi atendida. A reestruturação da nossa carreira e os reajustes salariais que tivemos foram conquistados na base de muita luta e de grandes Greves da categoria. A redução da nossa jornada de trabalho para 30 horas permaneceu facultativa à administração das Universidades. Os recursos financeiros e humanos para as Universidades Públicas foram numa proporção muito menor do que o número exigido de ampliação das vagas e cursos para sua expansão através do REUNI, do Ensino a Distância e da política de cotas.
Foram insuficientes também os recursos para a assistência estudantil dos alunos de baixa renda e pessoas com deficiência. A administração dos nossos hospitais universitários foi terceirizada à EBSERH. Os campi que interiorizaram as Universidades a partir de 2007 até hoje não tiveram suas obras concluídas e os prédios mais antigos estão cada vez mais sucateados ou até mesmo fechados e sem funcionamento. A retirada de recursos da Educação – incluindo as verbas de manutenção das nossas Universidades Federais – para pagamento da dívida externa e dos bancos foi mantida. Além disso, enfrentamos duas reformas da previdência nos governos Lula e Dilma. Enquanto isso, os bancos Itaú e Bradesco nunca lucraram tanto.
Não houve rompimento com a política de enriquecimento dos mais ricos e empobrecimento dos mais pobres. As contrarreformas nunca cessaram. E o que vemos atualmente como Reforma Trabalhista, da Previdência e a Terceirização ampla é o resultado dessa política de conciliação de classe orquestrada pelos governos do PT para sua manutenção no poder.
Por essas razões, não temos como fazer qualquer movimento que possa caracterizar apoio político ao ex-presidente. Não estamos dispostos a negociar a perda dos nossos direitos nem conciliar com aqueles que roubaram nossos sonhos! Independente do cenário que teremos de enfrentar neste e nos próximos anos, a história nos mostra que a única saída para os trabalhadores é a luta. Se Lula quiser voltar pra luta, vai nos encontrar no caminho. Mas, não espere ser carregado nos nossos ombros como um herói. Na nossa luta não há um herói, há lutadores que acreditam em dias melhores.
SINTUFS
Gestão “A luta continua: Nenhum Direito a Menos!”
Bienio 2017/2018
